Psicanálise e Trabalho: quando produzir começa a custar o sujeito?

No dia 1º de maio, falar de trabalho é também falar de corpo, de desejo e de limite. 
Não apenas do que se produz, mas do que se perde no caminho. Há um cansaço que não é só físico, ele atravessa a alma, silencia o desejo e, muitas vezes, esconde aquilo que não pôde ser elaborado.




Vivemos em um tempo que exige movimento constante, resultados imediatos e presença ininterrupta. 

Nesse cenário, o descanso parece culpa, e a pausa, um fracasso. Mas o sujeito não é máquina. Há dias em que o trabalho sustenta, organiza, dá sentido. E há outros em que ele pesa, esgota, invade. O mesmo lugar que oferece reconhecimento pode, também, retirar o fôlego.

O cansaço, quando escutado, fala. Ele pode ser o sinal de que algo foi exigido além do possível, de que o corpo tentou dizer “basta” antes da mente compreender. Pode ser também a marca de perdas silenciosas: de tempo, de vínculos, de si mesmo. Nem todo esgotamento é fraqueza — às vezes, é resistência levada ao limite.

Trabalhar é investir vida no mundo.
Mas quando esse investimento não encontra retorno, seja em reconhecimento, sentido ou cuidado, algo se rompe. E o que se rompe nem sempre é visível. É interno, subjetivo, profundo.

Neste 1º de maio, talvez a maior homenagem ao trabalho seja lembrar que ele não deveria custar o sujeito. Que produzir não deveria significar adoecer. Que existir não pode ser reduzido a performar.

Que possamos, então, reconhecer o valor do trabalho ; mas também o valor do descanso, do tempo próprio, do direito de não estar bem todos os dias, e esta tudo bem! Porque há dignidade não só no fazer, mas também no sentir, no parar e no recomeçar.

E, sobretudo, que possamos escutar o cansaço — não como inimigo, mas como um pedido legítimo de cuidado.



Com carinho, Edileide Ribeiro.

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