Falar é organizar ou reduzir o que sentimos?
Como posso dizer o que sinto, se o que sinto é tão grande?
Como posso organizar a bagunça que me organiza?
Eu falo, assim organizo, mas reduzo.
Reduzir não é diminuir; é dar sentido.
Mas que sentido posso dar a algo que talvez não entenda por completo, apenas sinta?
Se sentir fosse algo pequeno, para que serviria a linguagem?
E que bom que ela existe. Assim, posso existir.
Existo pelo que sinto, pelo que acho que falo,
mas talvez não falei o que poderia falar.
Falei o que pude pensar e acreditar.
Mas será que era o que precisava falar?
Entre falar e dizer, há um corte.
Esse corte me organiza para desfragmentar.
Mas logo começo novamente e ressignifico.
Então, o que é o sentido, senão uma organização do que “poderia ser”
ou “há de ser”?
Posso me apropriar de um ritmo preexistente e reformular.
Falo, logo existo.
Existo em matéria.
Faço presença no mundo de quem ouve.
Mas deixo de existir por completo em meio a tantas possibilidades de significações.
Ora, Lacan,
como ousa nos prender e nos soltar?
Como pode nos deixar assim, sem certeza do que é existir?
E, se existo, logo aqui o falo.
Permitindo-me a ignorância de supor a resposta de Lacan, seria algo parecido com:
O Real também existe, e não ter resposta também é resposta. Silêncio.
Edigleison Barbosa (Mercúrio)
Bacharelando em Estudos Teóricos Psicanalíticos e Sociais
Graduado em Tecnologia em Marketing Digital
MBA em Marketing Digital e Analytics
Pós-graduado em Ciência de Dados

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